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segunda-feira, 7 de março de 2011

do porquê dos homens nos não compreenderem...


Tu estás convencida há vários anos de que eu não te compreendo. Esta é sempre a teoria das mulheres, que não são compreendidas, que não são queridas, que não são adoradas, as queixas montanhas grandes, queixas enormes, sempre a justificar uma infelicidade que lhes vem lá do fundo da criação do mundo, do útero, da terra, as mulheres reflectem o útero feminino da terra, um útero cheio de aflições, em conclusão, queixam-se de tudo então entre os quarenta e os cinquenta, esse útero funciona nas alturas, é um útero cósmico que já não é parte de uma mulher, pertence à mulher do mundo. Há muita verdade no que dizes, o homem desinteressa-se facilmente, depois do acto do amor, depois logo sacode as penas, arrebita, passa à frente, domina outro mundo, a mulher fica fechada, acanhada nesse encontro muito íntimo, nesse seu mais fundo dos fundos, na identidade uterina com a ideia da criação, da reprodução da génese, salta, salta, forma-se na mulher a visão do caos a que só ela pelo amor pode dar uma nova regra, pelo domínio da paixão, pela companhia, para isso tem de ser compreendida, ela julga que é compreendida, tem de justificar a sua infelicidade pela compreensão do amor, de um outro amor, a mulher busca no outro amor o amor definitivo, amor que nunca aparece, é o poder fantásmico de convicção, que rompe todas as barreiras, a mulher atira-se, não sabe onde nem como, é capaz dos maiores actos de heroísmo clandestino, aparece, vai, surge, abre-se, mostra o que é o amor, a sua entrega total. 

Ruben A., in 'Silêncio para 4'

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Primeiro queimaram sutiãs,agora queimam-se a si próprias?!

Cada vez mais mulheres no mundo do crime*

«As mulheres estão a afirmar-se no mundo do crime. A delinquência feminina, desencadeada sobre-tudo por raparigas jovens, está instalada em Portugal e de uma forma muito mais refinada do que a masculina, garante Maria João Leote de Carvalho, investigadora da Universidade Nova de Lisboa. A PSP diz que está a acompanhar a tendência.

É um fenómeno que tem de ser seguido e que está presente em várias ocorrência policiais que pude analisar", diz a investigadora ao DN, salientando: "Trata-se de uma delinquência muito mais organizada, agindo sob outras formas de protecção e de organização criminal já adulta que acaba por levar ao afastamento das raparigas em idade da tutelar educativa (entre os 12 e 16 anos). Estas aparecem mais posteriormente."

Estatisticamente é difícil saber se é um fenómeno com tendência a aumentar, até porque, segundo o Observatório Permanente da Justiça Portuguesa (OJP), a escassez e fraca fiabilidade dos indicadores estatísticos da justiça não permitem uma reflexão cabal sobre a temática da delinquência. Assim, afirma Maria João Leote de Carvalho: "Do ponto de vista estatístico não se pode dizer se está ou não a acentuar-se. Mas aquilo que percebemos quando contactamos com algumas raparigas é que se trata de uma linha perfeitamente instalada, de forma organizada, e de transmissão feminina." Ou seja, "acontece no seio da própria família e abrange não só as gerações mais novas, mas também as gerações mais velhas. Em algumas famílias abrange avós, filhas e netas. É uma certa transgeracionalidade da criminalidade".

Autora de uma tese de doutoramento sobre delinquência de jovens entre os 12 e os 16 anos, a investigadora adverte: "É um problema que existe. Se observamos algumas lojas de centros comerciais, percebe-se como há actuações diferentes de rapazes e raparigas e como algumas raparigas são iniciadas pelas próprias mulheres mais velhas. São percursos que pude detectar."

Trata-se também de um aspecto da emancipação feminina? "Assim como há uma emancipação da mulher noutras áreas e há uma transformação do papel da mulher em todas as áreas do social, se calhar também temos de pensar na transformação do papel feminino na área da delinquência, por muito que nos custe enfrentar o lado negativo dessa emancipação», afirma ao DN.

in Diário de Noticias


*artigo retirado do site Home Page Jurídica de Eurico Santos

domingo, 25 de outubro de 2009

Eu profundo, tango lento...

A lucidez só deve chegar ao limiar da alma. Nas próprias antecâmaras do sentimento é proibido ser explícito.
in "O Eu Profundo", Fernando Pessoa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

alegria, s.f., manifestação de contentamento e júbilo

«A alegria do que nos alegrou dura pouco. A dor do que nos doeu dura muito mais. Vê se consegues poupar a alegria e esbanjares o que te dói. Vive aquela intensamente e moderadamente e atira a outra ao caixote (...).»
Vergílio Ferreira, in Escrever

domingo, 21 de junho de 2009

NEDA


Avancei o meu relógio +3:30 (hora de Tehran) e mudei a location "If anyone is on twitter, set your location to Tehran and your time zone to GMT +3.30. Security forces are hunting for bloggers using location/timezone searches. The more people at this location, the more of a logjam it creates for forces trying to shut Iranians' access to the internet down. Cut & paste & pass it on to all your friends please!"

terça-feira, 21 de abril de 2009

Spring is back!


O segredo não é correr atrás das borboletas...É cuidar do jardim para que elas venham até você.

Mário Quintana

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O meu jardim!

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores.
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores.
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores.
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores.
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho.
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho.
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho.
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho.
Estou podando meu jardim.
Estou cuidando bem de mim.
Vander Lee, Meu Jardim

terça-feira, 17 de junho de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

“Only as high as I reach can I grow, only as far as I seek can I go, only as deep as I look can I see, only as much as I dream can I be.”


Karen Ravn quotes

sábado, 26 de abril de 2008

Kiss me




Em todas as ruas te encontro



em todas as ruas te perco



conheço tão bem o teu corpo



sonhei tanto a tua figura



que é de olhos fechados que eu ando



a limitar a tua altura



e bebo a água e sorvo o ar



que te atravessou a cintura



tanto tão perto tão real



que o meu corpo se transfigura



e toca o seu próprio elemento



num corpo que já não é seu



num rio que desapareceu



onde um braço teu me procura



Em todas as ruas te encontro



em todas as ruas te perco



Mário Cesariny

sábado, 19 de abril de 2008

(Já não) Morro lentamente...


Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projecto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando indagado sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio de esplêndida felicidade.
Pablo Neruda, Muere lentamente