sexta-feira, 27 de julho de 2007

CONVITE – jornal Ponto Final

we want you for VIOLENT FEMMES!


O jornal diário PONTO FINAL lançou recentemente um espaço dedicado às mulheres residentes em Macau. O Violent Femmes, esta área integra a secção O’moonlheres publicada nas páginas centrais à sexta-feira.

*Conceito*: espaço feminino de participação rotativa aberto a mulheres e homens que desejem abordar o universo feminino de Macau. Todas as semanas uma mulher/um homem de Macau - que vive, viveu por cá - é convidado a participar nesta área através de textos ou imagens. Pode assinar com pseudónimo em casos excepcionais. A mesma pessoa poderá participar mais que uma vez nesta área. O convite mantém-se enquanto esta área for publicada no jornal Ponto Final.
A coordenação destas páginas reserva-se o direito de recusar publicar artigos que não reflictam este espírito.

*Formato*:
Texto:
. artigo de opinião sobre um assunto de actualidade premente das mais variadas áreas como a política, a cultura, a sociedade, a economia.
. conto, poema, texto de teor filosófico ou uma mera abstracção.
- A acompanhar o texto serão sempre publicadas imagens, fornecidas ou não pelo autor, dada a importância da imagem nesta secção que ocupa as centrais a cores da edição de sexta-feira do jornal Ponto Final.
Imagem + legenda:
. fotografia, ilustração, desenho, pintura, instalação…
. legenda: pequeno texto que acompanha imagem

*Tema*: qualquer assunto relacionado com o universo feminino de Macau, desde abstracções, emoções femininas e sentimentos de Macau a temas de actualidade

*Dimensão*:
TEXTO: Até 24 000 caracteres
- por semana só podem ser publicados até 6000 caracteres, daí que textos que excedam essa dimensão possam ser publicados até três ou quarto semanas seguidas. De notar que o texto pode ter apenas 1000 caracteres.
IMAGEM: tem de ter muita qualidade, pelo menos 1M

*Procedimento*:*
1º - envio da proposta para cultura_ponto@yahoo.co.uk e lei_mod_si@yahoo.co.uk indicando tema, formato, dimensão, data de entrega.
2º - aprovada a colaboração, o texto e/ou imagem são enviados para cultura_ponto@yahoo.co.uk e lei_mod_si@yahoo.co.uk. Se o texto estiver escrito em inglês será traduzido para português. Se o texto for escrito em português é sujeito a revisão/edição. Em ambos os casos é enviado para o autor para respectiva apreciação. As sugestões são assinaladas através do sistema /Track Changes/ do Word, pelo que podem ser recusadas/aceites facilmente. Revisto pelo autor, o texto final é enviado de novo para a coordenação destas páginas através do mesmo email para publicação.
Servem estas indicações como guias de funcionamento da Violent Femmes, podendo alterar-se para melhor servir o espírito destas páginas e respectivas colaborações. Não se trata de um concurso, nem estas colaborações são pagas, tendo apenas o intuito de dar a conhecer o universo feminino daquilo que é, que se pensa que é, da imagem que se tem deste.
Todo o tipo de informação relacionada com o universo feminino é bem-vindo para melhorar estas páginas e assim reflectir cada vez mais o espírito feminino de Macau, seja na forma de opiniões e comentários, seja na divulgação de informações de interesse feminino e sobre o trabalho de mulheres residentes de Macau dentro e fora da região. Todas as opiniões construtivas são válidas. De notar que estas páginas não são dedicadas a nenhuma espécie de ideal como seja o feminismo, tanto que o espaço é aberto aos homens que queiram reflectir sobre assuntos femininos ou revelar a sua perspectiva dos mesmos e assim desejarem colaborar nestas páginas.

Se estiver interessada(o) escreva para cultura_ponto@yahoo.co.uk e lei_mod_si@yahoo.co.uk apresentando a sua proposta.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Hoje...


Hoje é Now!
Sejamos todas as possibilidades a que temos direito,
Sejamos mais do que fomos ontem e menos do que o que seremos, certamente, amanhã,
Hoje olha para mim como se não houvesse amanhã e quando os nossos corpos nus se partilharem no segredo da noite, pacifica-te, pacifica-me... porque sabemos no nosso intimo que sim! NÓS podemos, devemos ser isto! Agora, sempre!

quinta-feira, 19 de julho de 2007

«Japanese women don't get Old or Fat»

E se lhe dessem 21 anos, quando na realidade já tem 42!?
Foi o que sucedeu com Naomi Moryiyama, autora deste livro, numa loja dos EUA, quando lhe pediram o BI, para comprovar que era maior de 21 anos!!!
Ora, daqui inferirão as leitoras deste blog, como eu fiz, de resto, que este livrinho só pode ser um verdadeiro sucesso!!! Sobretudo em plena época de veraneio!...
Naomi reside actualmente nos States, mas guarda bem presentes as recordações de uma infância no Japão. Desde sempre se deixou fascinar pela cultura nipónica, regressando amiúde à terra natal, mais especificamente à cozinha da sua mãe, Chizuko.
O objectivo é claro: ensinar a viver uma vida longa, saudável e, de preferência, com uma "cinturinha de vespa"!!!
Dos pilares da alimentação japonesa - peixe, vegetais, arroz e muito chá - à importância do exercício físico, a autora revela-nos os segredos da longevidade, incluindo, aqui e ali, inúmeros exemplos da sua própria experiência.
Por exemplo, no Capítulo III, é-nos devendado o segredo n.º 5 da cozinha de Chizuko: "As japonesas são as rainhas do pequeno-almoço poderoso."
Descubra porquê e siga a receita...eu cá, estou fã!
E se ainda não tem leitura de férias, então delicie-se com esta verdadeira bíblia da beleza feminina!Um must!
de Naomi Moriyama e William Doyle, Japanese women don't get old or fat -Vermilion (21, 42€)

As palavras que nascem mudas...


Quero dizer-te:
Que me fazes falta,
Que me recordo de todos os teus cheiros,
Que me lembro de todas as nuances do teu sorriso e de todas as lágrimas vertidas pelo mar dos teus olhos,
Que me fazes falta e sem ti é tudo metades... até eu!
Que te amo... muito... mesmo... e cada dia que passa... não te amo mais mas sinto-me cada vez mais pobre!

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Triunfadoras que rompem fileiras


Vozes de mulher que apontam para outro feminismo

Aqui e além, pouco a pouco, como leves sacudidelas sísmicas, ouvem-se vozes de mulheres com ressonância pública que reinventam o orgulho de ser mãe. Muitas vezes são mulheres que conseguiram o êxito profissional, mas que advertem que isso não basta nem justifica o sacrifício dos seus desejos e satisfações familiares. O que pedem é que a organização social permita realmente que a mulher possa escolher nas diversas etapas da sua vida, sem que o Estado ou a empresa decidam por ela.
Raramente uma campanha política se manifestou com uma opinião tão marcada. É como se todas as mães do país se tivessem posto de pé como uma só mulher e gritando aos políticos: “Ouçam-nos, queremos ser mães”; assim escrevia Elise Claeson, jornalista sueca, na sua mais lida coluna no Svenska Dagbladet, um dos principais jornais do país nórdico, durante a campanha eleitoral do passado Setembro.
Durante décadas, a elite sueca procurou que a mulher esquecesse que é mãe. Chamaram-lhe `bagatelas de mulheres` na política sueca. “ Na verdade, é um rebate contínuo: nós as mulheres não podemos escolher livremente porque escolheremos mal. Daí surgem as medidas impositivas que tiram mais de metade tanto aos ingressos da mãe como aos do pai e dividem-nos em pequenos, muito pequenos subsídios para terem controlo sobre nós”.
Há sinais que indicam que na recente vitória do centro-direita na Suécia deve ter influído o voto materno num país onde a taxa de actividade das mulheres fora do lar é de 71,8%. “ Dar prioridade aos filhos é fazer uma má escolha, mas apenas para as mulheres. De facto não existem `bagatelas de homens`. Os pais que querem `fazer de mães` são os heróis da elite”, escrevia Claeson que narrou num livro como e porquê decidiu depender economicamente do seu marido depois do nascimento da sua segunda filha e enquanto criava as duas.

O princípio de Eva

Eva Herman, apresentadora durante dezoito anos do noticiário mais famoso da televisão alemã, poderia ser o modelo perfeito do êxito profissional da mulher postulado pelo feminismo maioritário. Mas Eva excedeu-se, provocando vergões na delicada epiderme social, quando escreveu na revista Cícero, no verão passado, que o abandono do lar por parte da mulher não é um imperativo categórico. Longe de se retratar, com a publicação em Setembro do livro "Das Eva prinzip" (“O princípio de Eva”), a apresentadora mostrou a sua pertinácia, politicamente incorrecta. Talvez respire pela ferida – passou por três divórcios e só tem um filho --, mas agora pensa que “as mulheres não podem, simplesmente, perseguir o êxito profissional e, ao mesmo tempo, criar adequadamente os seus filhos”.
Não deixar para trás as necessidades familiares diante das exigências da carreira é também o conselho de Harriet Harman, deputada trabalhista inglesa e aspirante a número dois da próxima candidatura eleitoral do seu partido. Hartman recomenda às mulheres britânicas “não ter os filhos tão tarde como eu” –teve três entre os trinta e dois e os trinta e sete anos-e considera que “a saúde e bem-estar de mães e filhos, e as opções pessoais, deveriam decidir a idade para ter os filhos, e não o mercado de trabalho”.
A historiadora francesa, Ivonne Knibiehler, conhecida figura do feminismo, de 84 anos e mãe de três filhos, explicava numa entrevista em Le Monde (09-02-2007) que “o feminismo deve repensar, em primeiro lugar, a maternidade: tudo o mais virá por acréscimo”. Afirma ainda que, desde o princípio, “estava persuadida de que a maternidade continuaria a ser uma questão capital da identidade feminina. Não podia contentar-me com essa ordem implícita: "Sê mãe e cala-te". Knibiehler já intuía que se tratava de “uma função social e, estava convencida de que se a ignorasse, ignoraria, no mínimo, metade das realidades maternas”.
Para Knibiehler, a conciliação não passa “necessariamente, por uma repartição igualitária das tarefas parentais”, “uma vez que as mulheres continuam a envolver-se mais que os pais, e porque limitar os cuidados aos filhos pequenos supõe uma privação. Será necessário que as novas gerações procurem resolver esta quadratura do círculo, de que, actualmente, padecem tanto os pais como os filhos”.

Guerra entre mães?

The Mommy Wars é um livro em que uma jornalista do Washington Post reuniu 26 reflexões de outras tantas mães. Tratava-se de procurar uma trégua na suposta guerra que existe no mundo anglo-saxónico entre donas de casa e mães que trabalham fora. Inda Schaenen que, num ensaio, se declarava “Radical Feminist Stay-at-Home Mom” (“mãe dona de casa feminista radical”), diz-nos que “as mulheres que se dedicam ao lar a tempo inteiro com filhos pequenos não têm voz na praça pública. Ainda que haja cada vez mais livros escritos por mulheres escritoras que ficam em casa, a voz das mulheres que não são comunicadoras naturais ou profissionais não se escuta, excepto nos parques infantis de recreio”.
É difícil que se ouça a sua voz quando a estrutura socio-económica actual está construída sobre a base de famílias com dois salários. Por isso a primeira exigência é a flexibilização dos horários de trabalho e a melhoria das ajudas aos que trabalham fora de casa: creches e infantários gratuitos, licenças de paternidade e maternidade, colégios abertos durante as férias... Algo, sem dúvida, necessário para conciliar trabalho e família.
Mas também há que atender às necessidades das famílias que decidiram organizar-se de outra forma. O discurso social e político ignora as famílias em que um dos cônjuges, geralmente a mãe, quer trabalhar voluntariamente a tempo inteiro para o seu lar, economizando o Estado dinheiro em futuras creches ou residências geriátricas. O resultado é que não há liberdade para optar pela família e pelos filhos.
Os meios de comunicação social suíços documentaram o que poderia ser um fenómeno de novas donas de casa, desde a publicação do livro de Eva Herman na Alemanha. Precisamente na Suiça publicou-se, na mesma altura, um livro intitulado Dona de casa, o melhor trabalho do mundo, de Marianne Siegenthaler, que fala destas mulheres como “administradoras domésticas”.
Essa nova dona de casa define-se como uma mulher com uma boa formação académica, que abandona a sua carreira profissional, temporária ou permanentemente, para se converter em “mãe a tempo inteiro”. Esta expressão também parece destinada a reabilitar uma ocupação que talvez não tenha sido devidamente valorizada durante anos e que, ideologicamente, tem sido maltratada nas últimas décadas. O valor acrescentado desta renovada opção pelo lar, consiste em que, nem a sociedade, nem a tradição, nem os costumes dominantes coagem a mulher que opta por ele – poder-se-ia afirmar, inclusivamente, que até se verifica o contrário. As novas donas de casa, pode dizer-se que o são no pleno exercício da mais pura liberdade, graças à educação e à possibilidade de ser independentes.

Aceprensa, n.º 19/07

Tradução e adaptação: Maria Helena H. Marques
Professora do Ensino Secundário

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Esquecer...


Hoje, e só hoje, usando as tuas palavras: "Distância de ti. É o que mais quero."
Para lá do mundo conhecido, para lá dos sentimentos vividos...
Não te quero mais!
Talvez amanhã comece a sentir com toda a força e pujança a libertação de não te ter por perto...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O ÚNICO DEFEITO DA MULHER


Texto de Sérgio Gonçalves, redator da Loducca, publicado no jornal da agência.

«Se uma memória restou das festinhas e reuniões de familiares da minha infância, foi a divisão sexual entre os convivas: mulheres de um lado, homens do outro.

Não sei se hoje isso ainda acontece. Sou anti-social ao ponto de não frequentar qualquer evento com mais de 4 pessoas, o que não me credencia a emitir juízos.

Mas era assim que a coisa acontecia naqueles tempos.

Tive uma infância feliz: sempre fui considerado esquisito, estranho e solitário, o que me permitia ficar quieto a observar a paisagem.
Bem depressa verifiquei que o apartheid sexual ia muito além das diferenças anatómicas. A fronteira era determinada pelos pontos de vista, atitude e prioridades.

Explico: no lado masculino imperava o embate das comparações e disputas. "O meu carro é mais potente, a minha televisão é mais moderna, o meu salário é maior, a vista do meu apartamento é melhor, a minha equipe de futebol é mais forte, eu dou 3 por noite" e outras cascatas típicas da macheza latina.

Já no lado oposto, respirava-se outro ar. As opiniões eram quase sempre ligadas ao sentir. Falava-se de sentimentos, frustrações e recalques com uma falta de cerimónia que me deliciava.

Os maridos preferiam classificar aquele ti-ti-ti como mexerico.

Discordo.
Destas reminiscências infantis veio a minha total e irrestrita Paixão pelas mulheres.

Constatem, é fácil.

Enquanto o homem vem ao mundo completamente cru, as mulheres já chegam com quase metade da lição estudada.

Qualquer menina de 2 ou 3 anos já tem preocupações de ordem prática. Ela brinca às casinhas e aprende a pôr um pouco de ordem nas coisas. Ela pede uma bonequinha a quem chama filha e da qual cuida, instintivamente, como qualquer mãe veterana. Ela fala em namoro mesmo sem ter uma ideia muito clara do que vem a ser isso.

Noutras palavras, ela já nasce a saber. E o que não sabe, intui.

Já com os homens a historia é outra.

Você já viu um menino dessa idade a brincar aos directores?
Já ouviu falar de algum garoto fingindo ir ao banco pagar as contas?
Já presenciou um bando de meninos fingindo estar preocupados com a entrega da declaração do IRS?

Não, nunca viram e nem hão-de ver.

Porque o homem nasce, vive e morre uma existência infanto juvenil.
O que varia ao longo da vida é o preço dos brinquedos.

Aí reside a maior diferença.

O que para as meninas é treino para a vida, para os meninos é fantasia e competição.

Então a fuga acompanha-os o resto da vida, e não percebem quanto tempo perdem com seus medos.

Falo sem o menor pudor.

Sou assim.

Todos os homens são assim.

Em relação ao relacionamento homem/mulher, sempre me considerei um privilegiado.

Sempre consegui ver a beleza física feminina mesmo onde, segundo os critérios estéticos vigentes, ela inexistia.

Porque todas as mulheres são lindas.

Se não no todo, pelo menos em algum detalhe.

É só saber olhar.

Todas têm a sua graça.

E embora contaminado pela irreversível herança genética que me faz idolatrar os ícones da futilidade, sempre me apaixonei perdidamente por todas as incautas que se aproximaram de mim.

Incautas não por serem ingénuas, mas por acreditarem.

Porque todas as mulheres acreditam firmemente na possibilidade do homem ideal.

E esse é o seu único defeito.»

quinta-feira, 5 de julho de 2007

«O sol nas noites e o luar nos dias»


De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.


Natália Correia
Poesia Completa